Entrevistas – Crystian Cruz

Há algum tempo, a CONDe São Paulo entrevistou antigos organizadores de Ns Design, contando um pouco da experiência de estar à frente desse grande desafio enquanto estudante.
Na primeira etapa, foram entrevistados:
Crystian Cruz (N Design 1998)
Alexander Csajowski (N Design 2010)
Naotake Fukushima e Ken Fonseca (N Design 1991)
Tereza Bettinardi (N Design 2004)
Daniel Larusso (N Design 2007)

Desde o início do processo de feitura do TFG, tenho dedicado algumas horas na transcrição desses materiais e, de acordo com a proposta do projeto, apresento pontos-chave durante as entrevistas.

Crystian Cruz é designer, professor e consultor. Tem mestrado em tipografia pela University of Reading-UK. Atuou como diretor de arte das revistas Placar, Info e GQ, como diretor de criação no jornal Diário de S. Paulo e como diretor de tipografia na agência Africa. Desde 2010 presta consultoria em design editorial cross-media e tipografia, além de lecionar nos cursos de graduação e pós no IED – São Paulo. Autor das tipografias Brasilêro, Quartzo, Rodan e UOL, entre outras. Foi jurado em diversos concursos de design e teve trabalhos premiados nas últimas cinco edições da Bienal de Design Gráfico da ADG.
Participou da organização do 8º N Design, em Curitiba, quando o encontro retorna para a cidade depois de 7 anos percorrendo o Brasil.

Quando perguntado sobre como foi o início da comissão e seus primeiros desafios:

A primeira questão era: dá pra organizar com duas faculdades? A gente não se conhece, não dá pra saber. Pra isso, a gente acabou criando um evento que acontece até hoje, que é o Purungo, um evento pra gente se conhecer e ver se dava pra organizar alguma coisa junto. Ele nasceu pra isso, aconteceu um ano antes, em 1997. Foi um sucesso, um evento pra 200 pessoas e nada pretensioso, não é uma semana acadêmica, vamos juntar uma semana, organizar umas palestras e rapidinho esgotaram as inscrições. “Beleza, dá pra organizar um evento junto” e a partir disso surgiu o projeto de candidatura.

Depois de vencidos os primeiros desafios, a comissão continuou seus trabalhos:

A nossa CONDe foi a primeira comissão a ter conta em banco, antes usavam conta de CAs, mas anos antes teve um problema, em São Luís se não me engano, às vezes era a conta de uma pessoa e era um problema. Então a gente fez a CONDe como se fosse uma empresa, abriu conta em banco, assinatura de cheque era da CONDe

Foi o primeiro N que as inscrições acabaram antes porque esgotaram. Justamente por falta de espaço físico, cabiam mais ou menos 1200, 1300 pessoas.

Apontou algumas questões interessantes sobre a tradição de Curitiba nos encontros:

Acho que os Ns em Curitiba sempre foram muito marcantes: o primeiro foi lá, a primeira cidade a repetir, depois o com maior número de participantes.

Tava tudo muito no começo, foi naquele ano que a gente oficializou o CoNE, que já existia um ano antes, mas era muito como um teste. E aí a gente foi, oficializou em cartório, tudo direitinho e foi a fundação do CoNE*.

Durante o processo, Crystian comentou como foi a relação com outras comissões passadas e apontou uma questão interessante sobre a comissão de 1997 (ano anterior ao N Curitiba 98):

Foi em São Paulo, que teve uma particularidade que não foi organizado por estudantes, o Eddy (Auresnede Pires Stephan) organizou praticamente tudo. Acho que tinha até uma empresa por trás da identidade visual, não era de estudantes. E a gente achou que tudo tinha que ser feito por estudantes, então nós queríamos fazer tudo. O Purungo nos deu mais segurança.

Sobre a CONDe e o evento:

É difícil pensar algo que deu errado no evento, a gente também não precisava ficar monitorando a galera, a pessoa pegava a demanda e resolvia. Era um grupo muito bom, não tinham muitas brigas, grande parte virou professor ou assumiram cargos de gerência.

É uma coisa que sempre teve né, um tema. O nosso a gente acabou chamando de “Design para todos – Vamos mostrar a cara”. “Design para todos” era o tema do ALADI, que tava acontecendo ao mesmo tempo, aí a gente pegou e amarrou com um guarda-chuva principal. A ideia era bem essa mesmo, vamos mostrar a cara pro design curitibano e do Brasil.

Na verdade os conteúdos não estavam tão alinhados com o tema, acho que hoje em dia isso é mais forte, é o ideal na verdade né!? Tem muito evento de design que você pega a programação e não dá pra entender qual era a proposta.

E a importância do N Design:

[…] com a questão da oficialização do CoNE, que o evento tava tomando uma dimensão muito grande e que cada vez mais tinha que fazer de um jeito profissional, na época era o maior evento de design brasileiro e ainda é, então a gente tinha que cercar pra não dar nada errado. Foi crescendo bastante.

Mas é um reflexo de organizar um evento como o N, no começo você não sabe o que tá fazendo, pré-N eu tinha várias reuniões com associações profissionais, tinham umas reuniões que eu olhava e pensava “aqui só tem cobra criada”, presidente de sindicato de comércio. É outro mundo e eu aprendi muito com isso.
Aumenta também o senso de responsabilidade, de uma hora pra outra tem R$70mil na sua conta. Então é isso, meu primeiro grande aprendizado profissional foi organizar o N. Muito legal também é o contato com os palestrantes, acaba abrindo várias portas depois.

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